terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Meu sonho é vc!


Se eu soubesse escrever ou arrematar qualquer expressão em árabe diria que finalmente a vida mudou. Aconteceu uma transformação no ser humano. Depois de um longo período de três milhões anos, nós finalmente descobrimos o fato de amar. Comprei um liquidificador. Meu primeiro eletrodoméstico exótico. O liquidificador passa a ser uma necessidade quando você se torna responsável por suas ousadias. Principalmente as expressões culinárias. As receitas se ampliam. O universo vai adquirindo possibilidades inovadoras a cada tentativa de acerto. Não sei direito ainda para que serve a função pulsar! Ouvi um cachorro latindo bem perto das minhas orelhas. Deve ser som oriundo da imaginação.
O liquidificador é também um rito de passagem. Um marco no fato de estar existindo e interagindo com as panelas que produzem o básico no mundo: comer e multiplicar. Quanto melhor comer, mais bonito o fruto multiplicado.
Não, o aparelho não irá interferir na minha dieta alimentar de forma a aumentar minha quantidade de gordura humana. Nada disso. Um gesto que se eleva ao céus: alimentos saudáveis. O frescor de uma oração matinal. O suco saudável promovendo a desintoxicação dos rancores, dos odores repulsivos, dos descompassos. A agonia da vida filtrada por uma fina rede estrategicamente colocada no copo. Uma leitura mais atenta do manual incluso é muito importante nos dias de hoje.
O alimento do corpo, o sustento da alma. Come bem, alma boa. Come mau, e pronto, o corpo começa a reagir e produzir efeitos não muito agradáveis. A saúde do coração. O amor pulsando nas veias. Os excessos controlados.
Controlar o colesterol. Todos os dias a busca pela agilidade. Todos os dias os encontros com a imaginação. Todos os dias e as realidades moldadas se prestam a descrever sonhos. Nossa ilusão é manipulável. Nossos sonhos convergem pelas lentes de câmeras escondidas, olhares precisos e cenário convincente. A realidade e o espetáculo. Qual visão do paraíso, fomos até a Lua e vimos que na verdade o planeta é uma pequena bola sujeita a leis impostas pelo passar do tempo. As luzes do cenário no entanto nos dá a impressão de que a vida pode ser mais agradável do ponto de vista da felicidade. Ai então, sonhamos tudo de bom. O liquidificador e suas múltiplas atitudes.
O liquidificador é necessário à partir do momento em que você passa a ver ordem no caos. Água gelo e limão batidos é muito melhor. A transformação dos elementos que se completam para efeito de um melhor paladar. Uma situação apurada. Um deslumbramento diante da condição humana. Condição humana. Humana causa. Infestamos o planeta com razões humanas.
Nem animais seremos. Quem seremos? Fiz meu primeiro suco no liquidificador. Foi emocionante descobrir seu funcionamento. Não se trata de uma escala numerada.São conceitos. Quanto tempo leva para se preparar uma sopa? Qual o tempo necessário para a confecção de um molho vermelho e encorpado? Nossa vã filosofia.
Compacto. Desenho especialmente elaborado para fazer bonito na cozinha. É simpático e enigmático. Nada melhor numa paixão: não saber e discordar com olhares admiradores. A paquera. Vamos fazer alguma coisa com esse liquidificador. Está evidente. É um desejo manusear o objeto. Tocar em suas linhas, fruto da imagem humana de felicidade. Céu claro, lua cheia, vento fraco e suave. Nada de cores fortes. Sinuosidade. Linhas curvas de arquiteto.
Integração total com a paisagem urbana. O liquidificar, ainda por cima, possui assistência técnica por dois anos. Hoje em dia esse negócio de seguro é importante. A competência nem sempre é o momento do dia. Nos deparamos com erros alheios em todos os dias e em quantidade alarmante.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pensamento solto

o que há de valor são as idéias...
e mais ainda os ideais.

Oração para 2010


Baco, deus do vinho, evocado pelo canto do bode, faça sua dança de fortuna e prosperidade, embale nossos sonhos, realize nossas metas, estabeleça, senhor da gira, o conspirar do amor e das forças do bem...

evoé 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Engraçado como a gente nem pensa na saúde


Engraçado como a gente nem pensa na saúde. Eu estava em casa, deitado, vendo televisão. Um comercial de final de ano apareceu e não ouvi desejar saúde. Desejou dinheiro, desejou paz, desejou esperança, mas não desejou saúde. Fico imaginando o dinheiro sem saúde, a esperança sem saúde, a paz sem saúde.
E vamos indo pelas ruas desejando. Talvez a vida nos coloque razões para isso. Não fosse o desejo e estaríamos sem rumo, sem poder de decisão sobre o destino. O desejo quando é saudável leva em consideração determinados valores: maturidade, por exemplo.
Uma série de coisas são precisas na vida. Preciso de tudo, quase. Olho para as montanhas e desejo sentir o vento que mesmo sem eu desejar, sopra seus aromas. Sem levar em conta o que é possível ser visto. Somos coisas com sensações.
Giramos pelo universo contando economia, política e religião. Não esquecendo o futebol.
É terra de ninguém. É meia-noite, muita saúde, sempre.
Saúde para poder viver cada momento. Feliz ou infeliz, certo ou errado, sereno ou agitado. Saúde sempre.
É bom te ver. Apareça.
Um grande abraço.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O que torna a vida vazia?

O que torna a vida vazia? Há como preencher a solidão ou estar só é estar só e pronto. Hoje no consultório odontológico um senhor me disse que o que de valor havia no mundo era a memória. Sem ela não existiria humanidade. Cães e gatos sonham, pessoas recordam. Acumulam lembranças que resultam em memória.
A memória não me deixa só. Foi em mil novecentos e seis que Ana deixou o velho mundo para viver por mais de oitenta anos no interior do estado, sobrevivendo sem querer. Minha avó paterna me conheceu, eu a conheci. Meu avô, marido de minha avó paterna que me conheceu, eu não conheci.
Guardo um relato narrado por meus parentes – meu avô morreu cedo. Havia brigado com o pai dele, meu bisavô. Há muitos anos isso aconteceu, em mil novecentos e cinqüenta. E quando eu penso nisso tudo dessa forma, um filme é projetado desde o fundo das lembranças o que de fato é memória.
É muito simples: eu liguei a televisão e vi uma moça falando de sua gravidez. Depois, uma outra e uma outra e outra e minha avó foi mais uma. Saiu de Veneza. Deixou para trás séculos de história. As pontes, a Catedral, o Campanário. Aquela praça onde violinos executam uma valsa como fundo musical para o meu primeiro giro de trezentos e sessenta graus, em pleno centro da praça. Napoleão, que namorou Josefina, dizia que era a praça mais linda do mundo. Acredito nele, conheço poucas praças onde sou convidado a dançar e aceito o convite de bom grado.
Muitos saíram de Veneza rumo ao Brasil. Muitos saíram do Egito rumo a Terra Prometida que Adão fez o favor de nos enviar. Tudo começou mesmo foi com Eva partindo o bolo. Metade para mim, outra metade para o homem. O contrário seria o mesmo e vice-e-versa.
Depois, quando tudo é diferente, outras formas deverão ser encontradas. Todos devem trabalhar, todos trabalham. Meninos e meninas, todos. Dia quente, é verão, o amor se propaga com mais vigor em dias quentes. Temperatura ambiente maior. Faz muito calor nessa região do globo terrestre.
E como todo bom companheiro, um vinho branco gelado, um tinto quente, um pedaço de pão na boca, um momento de amor.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Braço dado à memória.


Ando com o braço dado à memória e ela tem me mostrado instantâneos do passado. A velha embalagem de lata quadrada de biscoito fino. Lá dentro uma quantidade de fotos. O passado conservado. Acervo. E ela, a memória, tem sido implacável em suas lembranças.

Nas noites do passado o frio era mais frio. Não havia cibernética. Nada disso existia. O governo promovia ações mágicas. Controle de tudo: inflação, natalidade, informação, agencias reguladoras.

Eu, o grande público, me recordo de uma visita presidencial. Em todos os jornais as fotos do grande empenho nacional para erradicar o analfabetismo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

De tanto que muda o tempo....

De tanto que muda o tempo e eu não consigo mais ter razão. Lembro que na casa da minha avó havia um galinho do tempo: medidor de umidade. Variava na cor, apontava um resultado, definia a realidade. O guarda-chuva protege em muito sol ou muita água. Assim indicava o ícone da sabedoria. O saber sobre o tempo. Contemporâneo, tenho essa imagem como uma lembrança de um tempo que parecia estar de acordo com sua freqüência. Frio no inverno, vento no outono, brisa na primavera e quente no verão. O tempo agora não prevê o que costumeiramente era possível. Que roupa usar. Tirar do guarda-roupa o necessário. A dúvida era menor.
mcd!